quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012


DIZIMOS E OFERTAS

TEXTO ÁUREO - "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança" (Ml 3.10).

 VERDADE PRÁTICA - Adorar a Deus com os nossos dízimos e ofertas é uma forma de expressar-lhe nosso amor por sua provisão.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Malaquias 3.7-12.

INTRODUÇÃO

 Para enriquecer o conhecimento de seus alunos acerca do dízimo, faça a seguinte atividade: Solicite à classe que leia as referências indicadas sobre o dízimo e descubra os propósitos, princípios e verdades relacionadas ao tema na Bíblia.

Lv 27.30-32 - Os dízimos pertencem ao Senhor. O povo deveria dar os dízimos de todos os produtos da terra e dos rebanhos.

18.21-32 - Um dos propósitos do dízimo era o sustento dos levitas em troca dos serviços prestados na tenda da congregação; por sua vez, os levitas davam os dízimos dos dízimos ao sacerdote. 

Dt 14.28,29 - Outro propósito era auxiliar aos necessitados.

Dt 26.12-19; Ml 3.8,10 - Assim como Deus dera bênçãos a seu povo, os que as receberam deviam reparti-las com os menos favorecidos. Dar o dízimo, portanto, traria bênçãos divinas, retê-lo traria a maldição. De início, escreva no quadro de giz apenas as referências. Seus alunos deverão lê-las e interpretar o texto. É natural que tenham dificuldades. Porém, ajude-os com um breve comentário sobre cada texto.

  Ao descrever as bênçãos decorrentes do dízimo, afirmou J. Blanchard: "O dízimo não deve ser um teto em que paramos de contribuir, mas um piso a partir do qual começamos". Não há como discordar do irmão Blanchard. Infelizmente, muitos são os que, menosprezando esta tão rica disciplina espiritual, longe estão de experimentar a bênção da mordomia cristã.
Afinal, por que devo eu contribuir, financeiramente, com a Obra de Deus? Que benefícios espirituais obterei com os meus dízimos e ofertas? Em primeiro lugar, conscientize-se: as ofertas e os dízimos não lhe pertencem; a Deus pertencem. Não é Ele o dono da prata e do ouro? Então, dai a Deus o que é de Deus.

O QUE SÃO OS DÍZIMOS E OFERTAS

1. Definição. Os dízimos e ofertas, entregues a Deus com ações de graças, são um dos maiores atos da devoção cristã: testemunham de que lhe reconhecemos o senhorio supremo e inquestionável sobre todas as coisas; e evidenciam que lhe aceitamos o império de sua vontade sobre todas as coisas que possuímos (1 Co 10.16).
Em nosso Dicionário Teológico, definimos assim o dízimo: "Oferta entregue voluntariamente à Obra de Deus, constituindo-se da décima parte da renda do adorador (Ml 3.10). O dízimo não tem valor mercantilista, nem pode ser visto como um investimento. É um ato de amor e de adoração que devotamos àquele que tudo nos concede. É uma aliança prática entre Deus e o homem. O que é fiel no dízimo, haverá de usufruir de todas as bênçãos que o Senhor reservou-nos em sua suficiência".

2. Mordomia cristã. A entrega amorosa e voluntária do que possuímos a Deus é conhecida, também, como mordomia cristã. Ou seja: como seus mordomos, cabe-nos administrar, devocional e amorosamente, o que nos entregou Ele, visando o serviço de adoração, a expansão de seu Reino e o sustento dos mais necessitados.
A mordomia cristã, por conseguinte, é a administração de quanto recebemos do Senhor. Por isso requer-se de cada mordomo, ou despenseiro, que se mantenha fiel ao que Deus lhe confiou (1 Co 4.2).

ADORANDO A DEUS COM NOSSOS HAVERES

 Vejamos por que os dízimos e ofertas são importantes.

1. Através das contribuições financeiras, honramos a Deus. "Honra ao Senhor com a tua fazenda e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão os teus celeiros abundantemente, e trasbordarão de mosto os teus lagares" (Pv 3.9,10).

2. Por meio das ofertas e dízimos, mostramos a Deus nossa alegria."Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria" (2 Co 9.7).

3. Por intermédio do dar, expomos a Deus um coração voluntário:"Então, falou o Senhor a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel que me tragam uma oferta alçada; de todo homem cujo coração se mover voluntariamente, dele tomareis a minha oferta alçada" (Êx 25.1,2).

4. Através do ofertar, revelamos o nosso desprendimento. "Porém o rei disse a Araúna: Não, porém por certo preço to comprarei, porque não oferecerei ao Senhor, meu Deus, holocaustos que me não custem nada. Assim, Davi comprou a eira e os bois por cinqüenta sidos de prata" (2 Sm 24.24).

A CONTRIBUIÇÃO NA BÍBLIA

 A mordomia cristã, como devoção e adoração a Deus, não surgiu com o Cristianismo; é um ato que nasceu com o homem, e vem perpetuando-se ao longo da História Sagrada. Quer no Antigo quer no Testamento Novo, deparamo-nos com homens e mulheres que, afetuosamente, tudo entregavam ao Senhor, pois do Senhor tudo haviam recebido.

1. Antigo Testamento. Embora a Bíblia não o registre, certamente ofereceu Adão ao Senhor não poucos sacrifícios, pois os seus descendentes imediatos o fizeram, certamente, imitando-lhe o gesto:

a) Abel. Um dos mais perfeitos tipos de Nosso Senhor Jesus Cristo, ofereceu Abel um sacrifício a Deus: "E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura; e atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta" (Gn 4.4).

b) Abraão. Abraão foi o primeiro herói da fé, segundo o registro bíblico, a trazer os dízimos ao Senhor que, naquela oportunidade, era representado por Melquisedeque que lhe "trouxe pão e vinho; era sacerdote do Deus Altíssimo; abençoou ele a Abrão e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que possui os céus e a terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus adversários nas tuas mãos. E de tudo lhe deu Abrão o dízimo" (Gn 14.18-20 - ARA).

c) Israel. Os filhos de Israel tinham por obrigação trazer os dízimos aos levitas, a fim de manter em perfeito funcionamento o serviço do santuário: "Aos filhos de Levi dei todos os dízimos em Israel por herança, pelo serviço que prestam, serviço da tenda da congregação" (Nm 18.21 - ARA).

2. Novo Testamento. Ao contrário do que supõem muitos crentes, os dízimos não foram instituídos pela Lei de Moisés. Pois Abraão já o honrava com os seus dízimos. Vejamos, pois, como a Igreja de Cristo comportava-se diante da mordomia que nos entregou o Senhor.

a) Jesus não foi contra os dízimos, mas contra a hipocrisia dos que os traziam: "Mas ai de vós, fariseus, que dizimais a hortelã, e a arruda, e toda hortaliça e desprezais o Juízo e o amor de Deus! Importava fazer essas coisas e não deixar as outras" (Lc 11.42).

b) Tipologicamente, Abraão entregou os dízimos a Cristo, já que Melquisedeque era da mesma ordem sacerdotal que o Nazareno:"Porque este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão, quando voltava da matança dos reis, e o abençoou, para o qual também Abraão separou o dízimo de tudo" (Hb 7.1,2 - ARA).

c) A Igreja Primitiva contribuía regularmente no primeiro dia da semana: "No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for" (1 Co 16.2 - ARA).

d) Na Igreja Primitiva o dízimo era o referencial mínimo. Eis o exemplo de Barnabé: "José, a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé, que quer dizer filho de exortação, levita, natural de Chipre, como tivesse um campo, vendendo-o, trouxe o preço e o depositou aos pés dos apóstolos" (At 4.36,37 - ARA).

 A CONTRIBUIÇÃO FINANCEIRA NA IGREJA

2 CORÍNTIOS 9.1-9; = 1 CORINTIOS 16. 1-4


O dízimo está presente ao longo de todo o Antigo Testamento e na prática do povo de Deus desde os tempos mais remotos. Em Gn 14. 20, Abraão, ancestral de Israel, entrega dízimos a Melquisedeque. A partir deste evento, a contribuição financeira passa a fazer parte inseparável da estrutura de fé dos que servem a Deus e sua Igreja. Nesta lição, nos ateremos a analisar o dizimo e suas implicações na vida do crente.

I. IDÉIAS ERRADAS QUANTO AO DÍZIMO.

Antes de fornecermos uma definição equilibrada do dízimo, seguem-se algumas afirmações sobre como o dízimo não deve ser encarado.

1. Não é legalismo. Moisés, inspirado por Deus, estabeleceu que o povo, como um todo, deveria entregar aos sacerdotes a décima parte de tudo que arrecadassem. Com o passar do tempo, o povo passou a fazê-lo apenas por causa do peso da lei, sem discernir o verdadeiro sentido de sua ação. Ações meramente legalistas tem pouco ou nenhum valor diante de Deus.

2. Não é um substituto das virtudes cristãs. Entregar o dízimo não exime o crente da prática das grandes virtudes da Bíblia. Em Lucas 11. 42, Jesus repreende os fariseus: “Ai de vós, fariseus, que dizimais a hortelã, e a arruda, e toda hortaliça e desprezais o juízo e o amor de Deus! Importa fazer estas coisas e não deixar as outras” A prática do dízimo não desobriga o crente de produzir o fruto do Espírito e de ser um exemplo para os que com ele convivem.

3. Não deve se transformar numa carga insuportável. Deve ser uma manifestação espontânea e livre; fazê-lo com constrangimentos diminui, ou anula, o valor do ato em si. Às vezes, a avareza e conceitos errados se interpõem como um obstáculo para que o crente haja de maneira correta e de todo coração. O dízimo deve ser entregue com liberalidade e alegria.

4. Não concede poder de barganha. Hoje em dia, há pessoas que se sentem tentadas a negociar com Deus, e algumas vezes com a liderança da igreja, imaginando que o tamanho e assiduidade com que entregam seu dízimo lhes darão mais prestígio ou quem sabe um cargo de destaque na igreja.
Este tipo de ação é comum em corações que precisam urgentemente amadurecer e alinhar o valor das coisas em seu devido lugar.

5. Não nos torna merecedores da graça divina. O substantivo “graça” já diz tudo por si mesmo; toda bênção que recebemos é inteiramente por mérito de Deus. Ele é tão bom que nos concede todas as coisas sem que o mereçamos. Nosso dízimo não compra a graça divina: “pela graça sois salvos, por meio da fé” (Ef 2.8,9).

DEFININDO O TERMO “DÍZIMO”.

A palavra dízimo significa: décima parte. O judeu, após a colheita, antes de efetuar o pagamento de qualquer despesa, retirava a décima parte de tudo que produzia e dedicava-a ao Senhor em gratidão por suas bênçãos. Isto implicava também na consagração da vida do ofertante e de tudo que possuísse. Mas, o que é o dízimo?

1. É um dever de todo crente. Não importando quanto cada um produz, todos os que servem ao Senhor têm, entre outros compromissos, o de entregar o seu dízimo. Ml 3.10 diz: “Trazei os dízimos à casa do tesouro”. Ser cristão é ser partícipe de privilégios, mas é também assumir responsabilidades intransferíveis. Entregar o dízimo é uma delas.

2. É um ato de obediência. Trazer a quantia devida e entregá-la no templo é uma questão de obediência. Ml 3.8 diz: “Roubará o homem a Deus? Todavia vós dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas”. Segundo este texto, o homem se coloca em franca desobediência quando não traz os dízimos à casa do tesouro.

3. É um ato de fé. Os dízimos não são dados ao pastor da igreja, mas sim ao Senhor e à sua obra. Para se compreender isso é necessário que se tenha uma mente transformada. É quase impossível ao não regenerado chegar a esta compreensão. Mas o crente nascido de novo o faz de coração e por fé.

4. É um ato de amor com a obra de Deus. Ml 3.10b diz: “para que haja mantimento em minha casa”. O crente quando entrega seu dízimo, precisa fazê-lo na certeza de que a sua contribuição é que possibilita a marcha da Igreja, sustenta seus projetos missionários e a mantém em crescimento.

5. É um ato de gratidão. O dízimo, quando praticado de forma correta, constitui-se em demonstração de nossa gratidão ao Senhor. Ele nos tem dado tudo, por que não lhe daremos o dízimo que é tão pouco?

6. O dízimo é entregue ao Senhor. É necessário que se saiba que o dízimo é entregue, em última instância, ao Senhor. É uma consagração que se faz ao Deus Todo-Poderoso.

7. O local da entrega dos dízimos. Os levitas eram os responsáveis pelo seu recebimento (Hb 7.9). O povo poderia trazer parte de sua colheita ou o correspondente em dinheiro. Após a construção do templo em Israel, e principalmente após o cativeiro babilônico, todos os recursos financeiros eram trazidos à Casa do Senhor. É por isto que o texto de Ml 3.10 diz:” Trazei todos os dízimos”. Não é correto ao crente entregar suas contribuições financeiras onde lhe aprouver. Existem alguns que deliberadamente o estão “enviando” para este ou aquele pastor ou missionário, mas o verbo enfatiza a ação de “trazer” e não de “enviar”.

8. Sobre que tipo de renda deve-se dizimar. O dízimo deve ser separado ao Senhor sobre tudo o que produzirmos. Se tenho uma, duas, três ou mais fontes de rendas, devo separar o que pertence ao Senhor de todas estas fontes.

9. Cada um contribui proporcionalmente aos seus rendimentos. O valor não reside na quantia que entregamos, mas no ato de ofertar a Deus. Este privilégio não exclui a ninguém. Sobre a viúva pobre, Jesus respondeu: “Em verdade vos digo que esta pobre viúva depositou mais do que todos os que depositaram na arca do tesouro”. A razão para esta resposta é simples: o dízimo é proporcional aos nossos rendimentos. A oferta da viúva era maior porque em relação aos outros ela nada tinha, mas em seu quase nada, dera tudo.

BÊNÇÃOS ADVINDAS DA FIDELIDADE EM DIZIMAR

1. O devorador é repreendido. Produzir muito não significa, necessariamente, ter o suficiente para se conseguir segurança nas finanças. Se o devorador estiver livre para agir, tudo o que se ganha será sempre pouco. É como depósito feito em sacolas sem fundo (Ml 3.11).

2. Respeito pelos de fora. “Todas as nações vos chamarão felizes, porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos exércitos” (Ml 3.12). Este texto ensina que entregar fielmente o dízimo traz ao crente um elevado conceito por parte de todos.

3. Vitória sobre a avareza. Ef 5.5; Cl 3.5. Assumir uma atitude correta em relação ao dízimo permite ao crente vencer sentimentos negativos como a avareza e o egoísmo, preparando-o a ter um coração mais predisposto a dar do que a receber.

4. Dispõe o coração de Deus em nosso favor. “Tomai vós para mim, e eu tornarei para vós, diz o Senhor dos exércitos” (Ml 3.7). Nossa atitude de voltar-se para Deus permite que Ele se volte para nós. Isto nos mostra que o tema do dízimo faz parte do elenco das grandes virtudes cristãs.

Quatro classes de contribuintes

Em toda igreja existem quatro classes de contribuinte, que são:

Os dizimistas fiéis. São os 300 de Gideão, que sempre dão e têm para dar. Quanto mais contribuem, mas têm prazer em contribuir. Esses são os que mantêm o equilíbrio financeiro da igreja.

Os dizimistas infiéis. São os que assumem o compromisso diante de Deus e da igreja e depois de algum tempo falham ou desistem de uma vez. Outros que também pertencem a esta classe são os que dão apenas uma parte do dízimo, para ver o seu nome na lista da tesouraria. São como Ananias e Safira.

Os liberais não dizimistas. Esta classe é a menos numerosa. Não são contrários ao dízimo e nem combatem os dizimistas. Mas não o são porque ainda não compreenderam a doutrina do dízimo.

Os antidizimistas, mesquinhos e derrotistas. Esta classe é a mais numerosa em todas as igrejas. São crentes perigosos e nocivos ao crescimento da obra e do Evangelho. São antidizimistas declarados e se opõem a qualquer campanha financeira.


PORQUE SOU DIZIMISTA


• Sou dizimista porque o dízimo é santo (Lv 27.30-32);
• Sou dizimista porque quero ser participante das grandes bênçãos (Ml 3.10-12);
• Sou dizimista porque amo a obra de Deus, na face da Terra;
• Sou dizimista porque Deus é o dono do mundo (Sl 24.1);
• Sou dizimista porque eu mesmo vou gozá-lo na casa de Deus (Dt 14.22-23);
• Sou dizimista porque mais bem aventurado é dar do que receber (At 20.35);
• Sou dizimista porque Deus ama o que dá com alegria (I Co 9.7);
• Sou dizimista porque tudo vem das mãos de Deus (I Cr 29.17);
• Sou dizimista porque não sou avarento (I Tm 6.10);
• Sou dizimista porque meu tesouro está no céu (Mt 6.19-21);
• Sou dizimista porque obedeço a lei de Deus (At 5.29);
• Sou dizimista porque a benção de Deus é que enriquece (Pv 10.22).

CONCLUSÃO

 Os dízimos e as ofertas, por conseguinte, devem ser trazidos a Deus não como uma penosa obrigação; devem ser entregues como um ato de ações de graças.
Não agiam assim os santos do Antigo e do Novo Testamento? Mostremos, pois, ao Pai toda a nossa gratidão; ofertemos não para sermos abençoados, mas porque já fomos abençoados. O ofertar faz parte tanto do nosso culto público como individual.
Devemos ser fiéis na entrega da décima parte de nossa renda, pois, tudo pertence a Deus. Nosso trabalho, família, nossa saúde, tudo provém de Deus. O fato de não sabermos se estaremos vivos amanhã, indica que, inclusive, a nossa vida é uma dádiva divina.


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
Lições bíblicas CPAD 1997
Lições bíblicas CPAD 2008
HAYFORD, J. A chave de tudo. RJ: CPAD, 1994.
LIMA, P. C. Dizimista, eu? RJ: CPAD, 1998.
SILVA, S. O crente e a prosperidade. RJ: CPAD, 1992.
SOUZA, B. As chaves do sucesso financeiro. RJ: CPAD, 2001


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012


O PERIGO DE QUERER BARGANHAR COM DEUS
Texto Áureo: Sl. 116.12 – Leitura Bíblica: Mt. 4.1-11

Pb. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
A Teologia da Ganância está fundamentada na relação de causa e efeito, isto é, na possibilidade do ser humano barganhar com Deus. Na aula de hoje, destacaremos essa impossibilidade, tendo em vista a graça de Deus, que desconstrói essa relação de troca. No início, mostraremos que a Bíblia, como Palavra de Deus, condena a barganha com Deus, em seguida, que esse tipo de ensinamento é perigoso por desconsiderar o favor imerecido de Deus.

1. A BÍBLIA CONDENA A BARGANHA COM DEUS
A Bíblia é susceptível à construção de qualquer doutrina, ela pode ser usada para fundamentar qualquer posicionamento humano. Ao longo da história, ela foi usada para justificar o extermínio de pessoas, o preconceito contra os negros, entre outros descalabros. A Bíblia é a Palavra de Deus, mas precisa ser lida com sinceridade e responsabilidade, sobretudo com disposição para ouvir o que o Senhor tem a dizer (Ap. 2.7,11). O texto bíblico precisa ser considerado em sua inteireza, e contextualizado, dentro de uma revelação específica para determinado tempo, avaliando as possibilidades para a sua aplicação, tendo como crivo o evangelho de Cristo (Lc. 11.52). Tal como os amigos de Jó, muitos defendem, nos dias atuais, que as adversidades pelas quais muitos cristãos passam advêm de pecado, como também acreditavam os discípulos de Jesus (Jo. 9.1). O próprio Diabo acreditava que Jó se distanciaria de Deus se viesse a perder o que possuía (Jó. 1.6-12; 2.1-10), não são poucos que, como Elifaz, Zofar e Bildade querem fazer o mesmo. O Tentador também barganhou com Cristo quanto o Senhor foi tentado no deserto, prometendo-LHE as glórias desta era, caso se prostrasse e o adorasse (Mt. 4.8-10). A barganha é sempre uma doutrina satânica, respaldada pela religiosidade humana, o evangelho de Cristo é escândalo para o mundo e para a religião, pois Cristo morreu justamente pelos que não mereciam (II Co. 10.2). A base desse evangelho é o amor, revelado no agape, na disposição de Deus de entregar Seu Filho para que todos os que nEle creem tenham a vida eterna (Jo. 3.16).

2. OS ARTIFÍCIOS PERIGOSOS DA BARGANHA COM DEUS
A doutrina da barganha com Deus é perigosa porque condiciona a operação de Deus às atitudes humanas. O ser humano é posto diante de leis e decretos que são considerados infalíveis. A famosa expressão “toda ação resulta em uma reação” é amplamente usada pelos adeptos da barganha. Essa lei se aplica aos valores seculares, mundo, às trocas empresariais, mas nada tem a ver com o relacionamento do homem com Deus, não deve ser imitada pela igreja do Deus Vivo. Cristo é a verdade que liberta (Jo. 8.32-36), e, por causa dEle, nenhum ritual religioso pode restringir a graça (Cl. 2.16-23). A barganha perdeu toda e qualquer razão de ser, pois, na cruz, a cédula foi rasgada, não existe mais débito (Cl. 2.14,15). Nos primórdios da igreja cristã a doutrina da barganha adentrou as igrejas da Galácia. Paulo reconheceu o perigo daquele ensinamento, por isso escreveu urgentemente àquelas igrejas (Gl. 1.1-13). A circuncisão, naquelas comunidades, é o exemplo de lei que se impõe como entrave à manifestação da graça de Deus. Paradoxalmente, em Cristo não existe mais lei, senão a do amor, o fruto que em nos opera para a vida, não para a morte (Gl. 5.21,22). Aqueles que se fiam na lei não agem com amor, apenas conseguem impor sobre os outros as suas interpretações, suas neuroses, concretizada em perseguições, tal como fez Paulo, quando adepto do farisaísmo (Fp. 3.4,6; I Tm. 1.13).

3. BARGANHA É O ESTELIONATO DA GRAÇA DE DEUS
A barganha com Deus é um estelionato contra a graça de Deus, ela nega o princípio maior da ética do evangelho. A religiosidade fundamentada na competitividade leva às pessoas a quererem ser sempre uma melhores do que as outras. Tal como Caim, somos levados a medir constantemente as atitudes dos outros pelas nossas, inclusive no que tange à espiritualidade, impossibilitando a operação do amor de Deus (I Jo. 3.11-13). As pessoas que se fiam na barganha com Deus vivem sempre amedrontadas, não conseguem desfrutar da plena liberdade que há em Cristo (Gl. 5.13-16). É bem verdade que o homem ceifará o que semear, mas isso somente na dimensão da lei, pois, na graça, a ética é respaldada pelo amor. É o amor de Deus que nos constrange a fazer o bem (Gl. 6.9-10), como expressava Agostinho, “amemos a Deus e podemos fazer o que quisermos”. Os dividendos dessa condição existencial será para a eternidade, reconhecimento divino do nosso desprendimento (II Co. 9.7-11). As atitudes cristãs, inclusive a contribuição, é uma extensão da atuação graciosa de Deus. Os adeptos da Teologia da Ganância, no entanto, transformam essa ética em práticas legalistas. O objetivo central desses é o acúmulo de bens, a fim de viverem regaladamente, enquanto os pobres da igreja padecem necessidade. Mas o julgamento de Deus sobrevirá sobre eles, pois, conforme já antecipou Pedro, esses “farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita." (II Pe. 2.3)

CONCLUSÃO
O Jesus pregado pelos Teólogos da Ganância nada tem a ver com Aquele revelado nas Escrituras. Mais que isso, conforme revela Paulo aos coríntios, se trata de outro espírito e de outro evangelho (II Co. 11.1-4). A doutrina da barganha defendida por tais pregoeiros é perigosa porque põe em questão a manifestação escandalosa da graça de Deus através da cruz de Cristo (I Co. 2.14; 3.19). O relacionamento do crente com Deus, e com o próximo, se fundamenta não na misericórdia e na graça, mas na troca de favores, que nada tem a ver com o genuíno evangelho (I Co. 13).

BIBLIOGRAFIA
FABIO, C. Sem barganhas com Deus. São Paulo: Fonte Editorial, 2005.
GONÇALVES, J. A prosperidade à luz da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

domingo, 12 de fevereiro de 2012


Texto Básico: Mateus 4:1-11
Que darei eu ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito?"(Sl 116.12 )

INTRODUÇÃO
Um dos mais sérios erros dos defensores da “teologia da prosperidade” é orientar seus seguidores a barganharem com Deus, como se uma oferta ou um dízimo fosse o suficiente para que Deus se tornasse nosso devedor. Muitos têm tratado estas e demais contribuições como “investimentos”, como um “toma-lá-dá-cá”, como se Deus se prendesse a gestos feitos pelos homens. Deus tem compromisso com a Sua Palavra, portanto nada disso é previsto nas Escrituras como um laço que obrigue Deus a enriquecer quem quer que seja. Na verdade, nossas contribuições financeiras (sejam elas ofertas ou dízimos) são um reconhecimento de que já fomos abençoados por Deus. Paulo deixa claro que Deus não deve nada a ninguém (cf Rm 11:34-36). A pergunta de Paulo continua válida em nossos dias: “quem deu primeiro a Ele para que depois possa ser retribuído?”. Nós contribuímos financeiramente porque recebemos do Senhor primeiro, e não o contrário. Precisamos entender que ninguém dá a Deus antes, para depois ser retribuído.
Muitos, por estarem interessados apenas em milagres, curas e prosperidade material, já não buscam a Deus pelo que Ele é. Na verdade, não querem conhecer a Deus, mas somente barganhar com o Senhor. São condenáveis os “sacrifícios”, os “carnês” e toda e qualquer espécie de contribuição financeira que é dada com o intuito de estabelecer uma barganha com Deus. Certamente, essas pessoas estão incorrendo num grande perigo: a perdição eterna. Deus nos concede suas bênçãos não porque tenhamos algum poder de barganha, mas porque Ele nos ama e quer aprofundar o seu relacionamento conosco.

I - A BARGANHA NA BÍBLIA
1. No Antigo Testamento. Um exemplo clássico de barganha no Antigo Testamento é o caso de Jacó. Fazer um voto era um meio de barganha, de troca entre os homens e a divindade, um“toma-lá-dá-cá”. Esta era uma demonstração da cultura gentílica. E esta ideia de barganha entre o homem e a divindade está por trás do primeiro voto mencionado na Bíblia, que foi o voto de Jacó, feito quando de sua fuga para Harã: “E Jacó fez um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer e vestes para vestir, e eu em paz tornar à casa de meu pai, o SENHOR será o meu Deus; e esta pedra, que tenho posto por coluna, será Casa de Deus; e, de tudo quanto me deres certamente te darei o dízimo”(Gn 28:20-22). Vemos neste voto de Jacó a ideia de “barganha” com Deus, algo que jamais se aprovou nas Escrituras, mas que, infelizmente, está por detrás da grande e esmagadora maioria dos votos que se fazem hoje na Igreja.
Jacó agiu sob a influência cultural gentílica, não tinha ainda uma experiência com Deus e pensou que o Senhor pudesse ser “comprado” com um voto. Na verdade, Jacó barganhou por menos que o Senhor lhe havia prometido (cf Gn 28:14). Sua fé ainda não era forte o suficiente para levar Deus a sério, de modo que Jacó condicionou o pagamento do dízimo ao cumprimento das promessas do Senhor. Deus, efetivamente, abençoou a Jacó, mas não foi por causa do voto que Jacó lhe fez, e sim, por causa da fidelidade do Senhor às promessas que havia feito a Abraão e a Isaque, promessas que, aliás, haviam sido renovadas, no sonho, pelo próprio Deus a Jacó (Gn 28:13-15).
O voto, enquanto barganha, enquanto “troca de favores”, é, portanto, algo que se encontra totalmente fora de cogitação no relacionamento entre Deus e os homens, ante a constatação de que Deus é soberano e que ao homem cabe apenas submeter-se a este Deus Todo-Poderoso.
Mas, se o voto não é barganha, o que é então? O voto é manifestação voluntária, ou seja, a declaração de vontade de alguém que é dirigida a Deus, um Deus que fez o homem com o direito de fazer escolhas e de expressar livremente a sua vontade. Todavia, qualquer ideia de barganha é infrutífera.
Deus, que é único, que é soberano e a quem pertence toda a Terra e tudo que nela há (Sl 24:1;1Co 10:26), não é “comprável” com presentes. Aliás, abomina os que se deixam levar por presentes (2Cr 19:7; Is 45:13). Se Deus é soberano, se tem o controle de todas as coisas, por que haveria de se vender a um ser humano por causa de um “voto”, de uma “promessa”?

2. Em o Novo Testamento. Um exemplo clássico de barganha no Novo Testamento é o caso de Simão, o mago, que ofereceu dinheiro a Pedro e a João em troca da capacidade de se conceder o batismo com o Espírito Santo (At 8:18-21). 
Simão, o mágico, ficou extremamente impressionado com o fato de o Espírito Santo ter sido concedido quando os apóstolos impuseram as mãos sobre os samaritanos. Desprovido de qualquer entendimento acerca das implicações espirituais desse acontecimento, Simão o considerou apenas uma demonstração de poder sobrenatural que lhe poderia ser útil em sua ocupação. Assim, ofereceu dinheiro aos apóstolos em troca desse poder. Esse ato insano de barganhar com Deus foi rispidamente repreendido pelo apóstolo Pedro: “ O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro. Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é reto diante de Deus”. A resposta de Pedro indica que Simão não era um homem convertido:
a) O teu dinheiro seja contigo para perdição. Nenhum cristão verdadeiro será entregue à perdição (João 3:16).
b) Não tens parte nem sorte neste ministério. Em outras palavras, não fazia parte da comunhão dos santos.
c) O teu coração não é reto diante de Deus. Uma descrição apropriada para uma pessoa que não é salva e que quer barganhar com Deus.
d) Estás em fel de amargura e laço de iniquidade. Palavras como essas não poderiam ser usadas para uma pessoa regenerada.
O nome “Simão” deu origem à palavra moderna “simonia”, a tentativa de comercializar coisas sagradas. A “simonia” inclui a venda de todas as formas de comercio relacionadas a questões divinas. Hoje, é aplicada aos mercadores da fé, que oferecem as bênçãos divinas mediante o pagamento de certa quantia em dinheiro. O apóstolo Paulo via, com muita tristeza, o crescimento dessa tendência mercadológica; para combatê-la, usou uma palavra cujo sentido é “falsificar ou mercadejar a Palavra de Deus”. Isso envolve práticas de "simonia” e adulteração da Palavra de Deus; é transformar o cristianismo numa prática comercial, visando apenas interesses pessoais.
Atualmente, uma das práticas que caracterizam a “simonia” é a da falaciosa “restituição”. Esta prática ficou popularizada no cântico cujo refrão é “Restitui… eu quero de volta o que é meu”. Esta prática é, também, uma fonte de dinheiro para muitos inescrupulosos que, através de “campanhas de restituição”, têm levado multidões a “exigir de Deus o que foi tomado, o que é meu” e, além de lhes causar a abominação do Senhor, ainda por cima acabam tomando o que havia ficado, por meio de ofertas e “sacrifícios”, habilmente solicitados nestas mesmas campanhas. Irmão e amigos, nós não temos direito a nada! A própria expressão bíblica exarada em Romanos 3:23 já diz tudo: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”Rm 3:23). O salário do pecado é a morte (Rm 6:23). Somos salvos pela graça(Ef 2:8). Tudo que temos é por causa da graça de Deus. Exigir de Deus algo que não merecemos é um acinte ao nome preciso do Senhor.
Ainda há aqueles que, induzidos por certos pregadores (pregadores?), que desprezando a soberania divina, passam a determinar seus “direitos” e a decretar suas “posses” como se o Senhor lhes fosse um mero empregado. Isto é falta de reverencia e temor a Deus.
Portanto amados irmãos, não podemos compactuar com estas práticas de “restituição” e de tudo o que envolva esta idéia, pois ela é pura e simplesmente manifestação de rebelião contra Deus. Como sabemos, “… a rebelião é como o pecado de feitiçaria... (1Sm 15:23). Que Deus nos guarde, pois os feiticeiros e os idólatras ficarão do lado de fora da cidade santa (cf. Ap 21:8; 22:15).
Ao acharmos que algo é “nosso”, que deve ser devolvido, estamos afirmando uma ilusória independência do homem em relação a Deus, exatamente o que fez o primeiro casal pecar e perder a comunhão com o Senhor. Ao invés de “querer de volta o que é nosso”, devemos ter o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, que foi expresso pelo apóstolo Paulo numa das suas frases lapidares: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2:20).
3. As Escrituras condenam a barganha. Por tudo que vimos nos dois itens anteriores, está claro que as Escrituras condenam a barganha com Deus. A verdadeira prosperidade do povo de Deus como é ensinada na Bíblia não é barganha com Deus, uma troca com Deus, eu dou 10 para receber 20, não. Infelizmente, muitos estão indo atrás de Jesus não porque queiram ter vida eterna, mas apenas para obter estas vantagens, que, a cada dia que passa, o sistema econômico lhes vai negando. Querem não servir a Jesus, mas, sim, se servir de Jesus e é precisamente esta a mensagem antropocêntrica da “teologia da prosperidade”. Estas pessoas, como diz o apóstolo Paulo, são as mais miseráveis criaturas humanas da face da Terra (1Co 15:19), porque, sabendo quem é Jesus e o que veio fazer neste mundo, querem apenas dEle se servir para terem bens e tesouros que nada lhes representará na eternidade. São pessoas que, infelizmente, não seguem a doutrina de Cristo que, tão explicitamente exposta no sermão do monte, nos manda ajuntar tesouros no céu e não na terra, pois onde estiver o nosso tesouro, ali estará o nosso coração (Mt 6:19-21).

II. PRESSUPOSTOS DA “TEOLOGIA DA BARGANHA”
1. A falsa doutrina do direito legal. A “teologia da barganha” tem como pressuposto a doutrina do “direito legal” do crente. Esta falsa doutrina tem como mentor Essek William Kenyon. Para ele, Deus ao instituir o homem como seu mordomo, deu “direitos legais” ao homem, que foram, com a queda, transferidos a Satanás que, “legalmente”, hoje domina a terra e a criação terrena. Para ser mais explícito, Kenyon quis dizer que a queda do homem foi um ato legal, isto é, Adão tinha o direito legal de transferir a autoridade e o domínio que Deus tinha posto em suas mãos para as mãos de um outro. Isto dá a Satanás o “direito legal” de ditar regras ao homem e à criação. Isto quer dizer que Satanás faz parte da redenção do ser humano (cic). A redenção seria uma fórmula pela qual Deus toma esses “direitos” de Satanás, livrando o homem do seu domínio. É esta a ideia-mestra de todas as “determinações”, “declarações” e “exigências” que caracterizam os “pregadores do positivismo”.
No entanto, tal pensamento não tem o menor respaldo bíblico. Deus nunca deixou de ser o Ser Soberano, o Ser Supremo. Quando a Bíblia nos diz que o homem foi constituído como ser que dominaria sobre as demais criaturas terrenas (cf. Gn 1:26-28), tal deve ser compreendido dentro do princípio de que o homem é “imagem e semelhança de Deus”, ou seja, de que jamais o homem teria “direitos legais” diante de Deus, mas o homem foi feito um “mordomo”, ou seja, um servo que era superior às demais criaturas divinas, mas que não deixava de ser servo, tanto que, ao conscientizar o homem de que ele era “livre”, Deus o fez por meio de uma ordem (cf. Gn 2:16,17), deixando bem claro quem era a autoridade, quem mandava e quem deveria obedecer.
2. A prática do determinismo. Esse é um dos pressupostos usuais da “teologia da barganha”. A falaciosa “doutrina do determinismo” insinua, dentre outras aberrações “teológicas”, que não é mais preciso orar, e sim apenas “determinar”.
Para os seguidores desta prática vergonhosa não se deve orar a Deus rogando a Ele que faça “segundo a sua vontade”, e sim impor a nossa vontade a Deus. Isso vai de encontro o que a Bíblia Sagrada nos ensina: “Esta é a confiança que temos nele: que, se pedirmos alguma coisa, SEGUNDO A SUA VONTADE, ele nos ouve”(1João 5:14).
Hoje temos visto falsos mestres ensinando que a oração da fé precisa determinar para Deus o que queremos. Este falso ensino proclama que oração é a vontade do homem prevalecendo no céu em vez da vontade de Deus prevalecendo na terra.
Analise a estrutura da oração-modelo que o Senhor deixou – o “Pai Nosso”(Mt 6:9-13). Ela nos revela que não há lugar para o “EU” e nem para o determinismo arrogante. Senão vejamos: “Pai nosso, que estás no Céu” – nossa posição: filhos de Deus; “Santificado seja o teu nome” – nossa posição: adoradores; “Venha o teu Reino” - nossa posição: súditos; “Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no Céu” – nossa posição: servos; “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje” – nossa posição: dependentes; “Perdoa-nos as nossas dívidas” – nossa posição: pecadores; “E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal” – nossa posição: fracos espiritualmente. Portanto, submissão à vontade de Deus, e não imposição da nossa vontade a Deus, é o alicerce da nossa confiança na oração. Aliás, devemos temer orar por qualquer coisa que não esteja de acordo com a vontade de Deus.
Devemos estar cientes que Deus é soberano sobre tudo e sobre todos: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos”(Is 55:8). "O Senhor estabeleceu o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo. Bendizei ao Senhor, vós anjos seus, poderosos em força, que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua palavra! Bendizei ao Senhor, vós todos os seus exércitos, vós ministros seus, que executais a sua vontade. Bendizei ao Senhor, vós todas as suas obras, em todos os lugares do seu domínio! Bendizei, ó minha alma ao Senhor!" (Salmo 103:19-22). "E todos os moradores da terra são reputados em nada; e segundo a sua vontade ele opera no exército do céu e entre os moradores da terra; não Há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?" (Dn 4:35)
Em fim, prosperidade segundo a Bíblia não é determinismo, e sim benção de Deus. Porque sem a benção de Deus não há o que se falar em prosperidade. Sabe por quê? “Porque a benção do Senhor é que enriquece, e ele não acrescenta dores” (Pv 10:22). A prosperidade verdadeira consiste na bênção do Senhor. Quer sejamos pobres, ou ricos, a presença e a graça do Senhor são o nosso maior tesouro.

III. O PERIGO DE BARGANHAR COM DEUS
1. O perigo de se ter um Deus imanente, mas não transcendente. Deus é transcendente e imanente. Ou seja, a despeito de habitar nas alturas mais insondáveis, e apesar de infinito e imenso, não permanece alheio às suas criaturas. Assim, ao longo dos séculos, o Eterno vem se comunicando com o homem, direta ou indiretamente. Ele tem prazer de ser assim com o ser humano; é tanto que, após o pecado do homem, Ele proveu o Cordeiro imaculado, Jesus Cristo, para através de sua morte vicária resgatar o ser humano ao estado original da criação.
Embora Deus tenha o prazer de atender ao ser humano em suas necessidades, não podemos nos esquecer que Ele é soberano e está acima de toda criação. Deus é superior ao homem e, portanto, o homem não pode querer esquadrinhar os Seus pensamentos ou entender os Seus propósitos, a não ser pela própria revelação divina.
Conquanto a natureza possa nos fazer inferir que haja um Deus, não permite que nós, através dela ou da razão, possamos descobrir os mistérios e as profundidades do pensamento divino, pois Deus é Deus e nós, meros homens. Ou seja, Deus é transcendente - Ele é diferente e independente da sua criação (ver Ex 24:9-18; Is 6:1-3;40:12-26; 55:8,9). Seu Ser e sua existência são infinitamente maiores e mais elevados do que a ordem por Ele criada (1Rs 8:27;At 17:24,25).
Atualmente, os teólogos adeptos da “teologia da barganha”, tentam, a bel prazer, priorizar a relação de Deus com a criação, ignorando propositalmente a soberania e a vontade de Deus. Ninguém deve, jamais, pensar que é merecedor de qualquer coisa que parta de Deus. Isso deve se aplicar a todos os aspectos da vida do cristão, desde o ar que respiramos, passando pela salvação provida na cruz, ou qualquer outro benefício que venhamos a receber dEle (Tg 4:13-15).
Quando vemos as promessas divinas, como ato soberano de Deus, temos motivos para nos humilhar perante Sua potente mão e reconhecermos que não passamos de homens e mulheres carentes de Sua graça. É uma pena que alguns cristãos não estejam se apercebendo disso, resultando em excessos na oração e nas pregações. De vez em quando, vemos e ouvimos pregadores que oram determinando bênçãos às vidas de seus expectadores. Alguns, mais ousados, querem pôr Deus no “canto da parede”, justificando, não poucas vezes, que Deus, ao prometer, não pode mais voltar atrás, tornando-se, assim, escravo de Sua palavra. Tal ensino é um acinte à soberania divina, uma verdadeira blasfêmia, que não ficará impune. Deus não tem que dar satisfação a ninguém, a não ser a Ele mesmo. Ao assumir um compromisso, como diz o a Bíblia em Isaías 55:10,11, assume um compromisso com Ele mesmo. Deus é fiel, como dizem as Escrituras (1Co 1:9; 10:13; 2Co 1:18), ou seja, cumpre a sua Palavra, não porque o homem passe a Lhe mandar, mas, sim, porque o caráter de Deus diz que Ele não muda (Ml 3:6), é a verdade (Dt 32:4; Jr.10:10), é Justo (Ex 9:47; 2Cr 12:6; Sl 11:7) e que, portanto, sua Palavra só pode ser “sim e amém” (2Co 1:20). Certo teólogo afirmou que Deus “pode fazer tudo o que quer, mas não quer fazer tudo o que pode”. Isto significa que o poder de Deus está sob o controle de sua sábia vontade.

2. O perigo de se transformar o sujeito em objeto. Hoje estamos assistindo ao fenômeno do mercadejamento da fé. A falaciosa “teologia da barganha” tem, vergonhosamente, transformado a fé em um grande negócio rentável e cada vez mais crescente. Isso tem trazido prejuízos enormes para a Igreja do Senhor Jesus. Há pastores que transformam o púlpito em uma praça de negócios, e os crentes em consumidores. São obreiros fraudulentos, gananciosos, avarentos e enganadores. São amantes do dinheiro e estão embriagados pela sedução da riqueza. Há pastores que mudam a mensagem para auferir lucros. Pregam prosperidade e enganam o povo com mensagens tendenciosas para abastecer a si mesmos.
A briga por espaços na mídia tem sido assaz notória, vendendo uma ilusão de que seus ministérios são aprovados por Deus, quando na verdade eles estão iludindo uma parcela dos que cristãos dizem ser, que não entendem que essa atitude mercantilista é reprovada por Deus. O Senhor em Sua Palavra, já nos primórdios da fé cristã, já advertia os crentes que muitos seriam feitos negócio com palavras fingidas de pessoas inescrupulosas (2Pe 2:3). Antes mesmo da formação da Igreja, o profeta Ezequiel já indicara a existência de pastores infiéis, que têm como objetivo tão somente explorar as ovelhas (Ez 34:4). Eles estão mais interessados no dinheiro das ovelhas do que na salvação delas. Eles negociam o ministério, mercadejam a Palavra e transformam a igreja em um negócio lucrativo.
Vergonhosamente, pastores e mais pastores estão se desvinculando da estrutura eclesiástica e rompendo com suas denominações para criar ministérios particulares, em que o líder se torna o dono da igreja. A igreja passa a ser uma propriedade particular do pastor. O ministério da igreja torna-se um governo dinástico, em que a esposa é ordenada, e os filhos são sucessores imediatos. Não duvidamos de que Deus chame alguns para o ministério específico em que toda a família esteja envolvida e engajada no projeto, mas a multiplicação indiscriminada desse modelo é deveras preocupante. O meu maior desejo é que esses pastores convertam-se dos seus maus caminhos, antes que seja tarde demais, antes que sua mente fique cauterizada e a apostasia não mais ofereça lugar à piedade e a honestidade (ler Pv 29:1).
3. O perigo da espiritualidade fundamentada em técnicas e não em relacionamentos. Os adeptos da “doutrina da barganha” têm transformado o relacionamento com Deus em algo meramente técnico e interesseiro. Segundo seus ensinamentos, para se obter o que se deseja de Deus é preciso fazer quatro coisas, as chamadas “regras da fé” ou “fórmulas da fé”, a saber:
a) confessar o que você quer.
b) crer que você tem aquilo que você quer.
c) receber o que você quer.
d) contar aos outros que você tem o que você quer.
De pronto, observamos que a soberania de Deus não é levada em consideração. Tudo gira em torno do que “você quer”, sem que se indague se o que se quer é o que Deus quer. Desprezam a realidade de que, apesar de sermos filhos de Deus, somos totalmente submissos à sua vontade e à sua soberania, como Jesus mesmo nos ensinou na oração-modelo – “o Pai nosso” – e na sua oração no jardim do Getsêmane(vide Lc 22:42); veja também 1João 5:14.
Temos, portanto, mais uma vez, evidenciado que a “doutrina da barganha” diviniza o homem, dá uma “roupagem evangélica” para o desejo pecaminoso de se ser independente de Deus. Que Deus nos guarde de agirmos assim, pecando contra a Sua soberania.

CONCLUSÃO
A Bíblia não ensina a fazer-mos uma barganha com Deus, não somos ensinados a ter que dar tanto para receber tanto. Deus não se condiciona aos nossos caprichos. Quando nos abençoa é pela sua misericórdia e tudo que recebemos é por sua infinita graça. Aliás, os “teólogos da barganha” conhecem pouco acerca da doutrina da graça, uma doutrina tão defendida pelos reformadores. O Deus Todo-Poderoso, que conhece tudo e que faz infinitamente mais do que pedimos ou pensamos, está sendo trocado por, Aladim o gênio da lâmpada, que só é buscado quando precisam de algum favor. Um Deus que tem que cumprir com todos pedidos dos pregadores da Fé.

Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Revista Ensinador Cristão – nº 49.
O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico Beacon – CPAD.
Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012



1º TRIMESTRE DE 2012 - LIÇÃO Nº 07 - 12.02.2012 - "TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE"
ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL
IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM ENGENHOCA
NITERÓI - RJ
LIÇÃO Nº 07 - DATA: 12/02/2012
TÍTULO: “TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE”
TEXTO ÁUREO – Fp 4.13
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Fp 4.10-19
PASTOR GERALDO CARNEIRO FILHO
e-mail: geluew@yahoo.com.br
blog: http://pastorgeraldocarneirofilho.blogspot.com/




I – INTRODUÇÃO:


Entre as lutas e carencias humanas, podemos notar que, embora sejamos ensinados de que a graça de Deus supre tudo, ela, no entanto, não nos isenta da necessidade de amigos, da escassez de bens materiais e financeiros.




II – A SUFICIENCIA DE PAULO:


Leiamos Fp 4:10-13 - Paulo agradece pela oferta que Epafrodito lhe trouxera da Igreja de Filipos.


(A) - Fp 4:10 – “MUITO ME REGOZIJO NO SENHOR” – Isto significa que Paulo apresentou “alegres agradecimentos ao Senhor” no momento em que recebera a oferta. Não resta dúvida de que as dádivas que então chegaram às mãos de Paulo por intermedio de Epafrodito, chegaram no mais oportuno momento. Mas, ao mesmo tempo em que se regozija pela generosidade dos filipenses, sente o apóstolo que lhes deve asseverar sua completa independencia das condições materiais, pois pode depender do poder de Cristo existente nele, não sendo um homem ansioso à espera de dádivas. É a graça da liberalidade outorgada pelos filipenses que enche de regozijo o coração do apóstolo Paulo.


(B) - Fp 4:11 - A política financeira de Paulo era não viver às custas de seus convertidos. Ele achava que, à semelhança dos outros apóstolos e líderes cristãos, tinha o direito de receber sustento, mas decidiu não usufruir desse direito (l Cor 9:12; 2 Tes 3:9). 


A bagagem de Paulo era bem leve: suas posses se limitavam às roupas do corpo e talvez algumas ferramentas de seu ofício; sabia como sobreviver com o mínimo; na verdade, forçara-se a aprender em como se contentar com pouco.


- “JÁ APRENDI A CONTENTAR-ME EM TODA E QUALQUER SITUAÇÃO" - A palavra traduzida por “contentar-me” denota o ideal da pessoa totalmente autossuficiente. Paulo a emprega a fim de expressar sua independencia das circunstancias externas. Estava sempre consciente de sua total dependencia de Deus. 


O APÓSTOLO ERA MAIS “SUFICIENTE EM DEUS” do que “AUTOSSUFICIENTE” - 2 Cor 5:5.


As palavras de Paulo foram expandidas por John Bunyan no cântico do menino pastor:


“Estou contente com o que tenho,
Seja pouco ou seja muito,
E é alegria o que mais almejo, Senhor,
Porque ela indica os que salvaste.
Nesta peregrinação concede-me medida total de alegria:
Provação agora, bênção depois.
Eis a bem-aventurança das gerações”.


Esta atitude opõe-se de frente à ambição. O próprio Cristo e Seus discípulos pronunciaram solenes advertências, descrevendo a "pessoa avarenta" como "idólatra" - Lc 12.15 comparar Ef 5.5; Hb 3.15


(C) - Fp 4:12 - Paulo acumulava vasta experiencia em passar com menos do que o suficiente, em algumas ocasiões, e ter mais do que o suficiente, noutras. Isso pouca diferença lhe fazia.


“APRENDI TANTO A TER FARTURA, COMO A TER FOME, TANTO A TER ABUNDANCIA, COMO A PADECER NECESSIDADE" - Só podemos imaginar o que é que Paulo considerava “abundancia” — tudo que estivesse acima do mínimo necessario quanto à alimentação e vestuario, sem dúvida alguma. Sendo um homem educado em ambiente elevado, sua conversão significou a entrada num novo modo de vida.


Ser cidadão de Tarso significava ser uma pessoa de grandes posses materiais. Entretanto, por amor a Cristo, Paulo havia dado também por perda todas as coisas – Fp 3.8 – O apóstolo aprendeu dali em diante, a sobreviver com o que pudesse ganhar mediante seu ofício de meio-expediente, de "fazer tendas" - l Tes 2:9; 2 Tes 3:8; At 18:3; 20:34.


Alguém perguntou ao filósofo Sócrates quem era a pessoa mais rica. Sócrates replicou: 


- "Aquele que está contente com o pouco, visto que a alegria é a riqueza da natureza".


(D) - Fp 4:13 - Paulo não coloca a seu crédito o aprendizado da lição sobre estar sempre contente; é graças Àquele que o capacita que o apóstolo diz: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece”, ou seja, “nAquele que é meu Fortalecedor”, isto é, Cristo – 1 Tm 1.12.


Na verdade, quando se tornava mais consciente de sua fraqueza pessoal é que ele mais se certificava do poder de Cristo que nele residia - 2 Cor 12:9-10.




III – APESAR DA GRAÇA DE DEUS, PAULO ERA HUMANO, SUJEITO A LUTAS, SOFRIMENTOS E DIFICULDADES:


(1) - ESTEVE PRESO EM ROMA – At 28:16, 23


(2) - FOI MAL INTERPRETADO TEOLOGICAMENTE – Rm 3:8 – Colocaram nos lábios de Paulo a afirmação de que, para receber os benefícios de Deus, precisaríamos praticar males. Porém, na verdade, o que Paulo queria dizer é que, quanto mais injustos somos, mais se evidencia a graça divina. Paulo estava expondo a graça de Deus e não incentivando ao pecado.


(3) - FOI INCOMPREENDIDO NO PASTORADO: - I Cor 3:3-4 – Paulo pregava a unidade do corpo de Cristo, mostrando os diversos ministérios e valores de cada um dentro de cada comunidade. Mas nessa intenção pastoral de educar a Igreja, sobrou para ele. Alguns se revoltaram com sua pedagogia e insurgiram-se contra sua autoridade, fazendo com que ele passasse por angústias enormes.


(4) - TEVE AUSENCIA DE SUPORTE FINANCEIRO – I Cor 9:6 – A propria Igreja que Paulo fundou não tinha a visão de sustentá-lo!


(5) - SOFREU CALUNIAS – II Cor 1:17; 10:2 – A Igreja que o apóstolo Paulo fundou, o acusou de leviano; que vivia mundanamente. Por essa razão, ele resguardava-se de carregar dinheiro sozinho, fazendo-se acompanhar para não ser caluniado de desonesto - II Cor 8:20.


(6) - NÃO FOI VALORIZADO – II Cor 10:10 – Segundo historiadores, o apóstolo Paulo era baixinho, amorenado, de pernas curvas, com sobrancelhas que se encontravam no meio da testa e que, possivelmente, sofria de conjuntivite crônica. Logo, não tinha presença física. Também a palavra de Paulo não era valorizada. Ao contrario, os comentarios eram de que sua presença pessoal era fraca e a palavra desprezível Porém, Paulo tinha o coração impregnado da mensagem de Cristo, que ele anunciava com poder, resultado da unção que havia nele - At 25:22-23, 26:1-2, 24-32


(7) - TINHA UM “CURRICULUM VITAE” QUE NÃO TRAZIA BOAS RECOMENDAÇÕES – II Cor 11:23-29 – Para o apóstolo Paulo não existia a Teologia da Prosperidade, que diz que se alguma coisa de ruim acontece com o crente, é porque está em pecado.


(8) - PRECISAVA DOS AMIGOS - Paulo foi levado ao terceiro céu; teve visão de anjos; um encontro especial com Jesus; vivia cheio do Espírito Santo; debaixo da graça de Deus; transpirava poder; orava pelos enfermos e os curava; expulsava espíritos malignos; tinha poder para persuadir os que o contradiziam e que vivia como um verdadeiro cristão - II Tm 4:6-22


(8.1) - II Tm 4:9, 21 - Não obstante andar cheio do Espírito Santo, Paulo não desprezava a companhia do irmão, porquanto ele sabia que, no plano de Deus, a chegada de Timóteo seria graça para lhe suprir as carências.


(8.2) - II Tm 4:10-12, 19-20 – Paulo se fazia rodear de amigos que amava e cuja falta sentia de forma aguda e declarada. Ele sente falta de toda essa gente por uma razão muito simples: PAULO ERA HUMANO! Todos os homens de Deus precisam de amigos!


(8.3) - II Tm 4:10 – Paulo também teve profundas decepções com os amigos. Demas fazia parte da equipe de evangelização de Paulo; viajava com ele e o acompanhava em suas viagens evangelísticas (Cl 4:14; Fm 24), mas ele diz que o amigo Demas preferiu as atrações do presente século a ele, Paulo.


(8.4) - II Tm 4:14-15 – O amigo Alexandre causou-lhe muitos males, delatando atividades evangelísticas de Paulo (o que naqueles dias em Roma, era subversão). Fora um irmão que traiu Paulo.


(8.5) - II Tm 4:16 – Faltou solidariedade dos amigos. Ninguém se solidarizou com Paulo, ninguém foi a seu favor: nem a Igreja, nem os irmãos, nem os amigos!


(8.6) - II Tm 4:13, 21 – Paulo revela bem o frio que ele estava passando naquela masmorra úmida. Ele não nega que precisava de um amigo para trazer-lhe a capa, bem como os livros para que pudesse se aquecer e diminuir o tedio de se ficar recluso em uma prisão.


É maravilhoso ouvir Paulo dizer que tinha abundancia, apesar da prisão, das cadeias, da vida pobre que levava...
Diante de tal quadro, será que os falsos mestres e doutores acham ridícula a ideia de que alguém, em tais condições, pode dizer que "tem abundancia"?


Porém, o que eles não sabem e jamais podem imaginar é que Paulo vivia em "outro hemisferio" e que, com o seu bendito conhecimento sobre o que Cristo pode fazer, ele afirmou que:


- "TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE".




IV – AS PROVISÕES DE DEUS PARA AS DIFICULDADES:


II Tm 4:17-18 – Paulo mostra que, apesar de não ter sido poupado da dor, ele era fortalecido em suas fraquezas e carencias. Ele sabia muito bem que o socorro de Deus era real e presente, pois para ele não há impedimentos, lugares lúgrubes demais, abismos ou poços tão profundos nos quais a graça de Deus não possa penetrar.


II Tm 44:11a – O Senhor sempre põe ao nosso lado alguns que nos amam e que nos confortam. Há sempre um “LUCAS” presente! Às vezes é a esposa; às vezes os nossos filhos, uma Igreja, um irmão, um amigo... Enfim, todo mundo pode ir embora, mas sempre haverá um “LUCAS”! Olhemos ao nosso lado: ELE ESTÁ AÍ! - Dn 2:16-17, 48-49 cf Pv 17.17; 18.24


Apesar da sua íntima comunhão com deus e de sua vida santa, Paulo jamais perdeu a fragilidade da natureza humana, pois ele não era nenhum super-homem – II Cor 2:12-13; 7:5; 11:8; Fp 2:27




V – CONSIDERAÇÕES FINAIS:


A graça de Deus não nos torna super-heróis. Mas, quando estamos solitários, a graça de Deus vem através de Igrejas, amigos e irmãos que nos trazem ofertas, a capa, os livros e aqueles que permanecerão sempre ao nosso lado, em qualquer momento da nossa vida! Por isso, não importa quão desesperadoras as circunstancias possam ser, ou quão grande a soma delas todas. Temos que ter experiencia no segredo de enfrentar a ambas: a falta e a abundancia de recursos. 


Da parte de Paulo, ele tinha aprendido uma das maiores lições que existem: Estar contente em qualquer situação em que se encontrasse. Esse é um segredo que só descobrimos quando passamos a ter uma vida sujeita à vontade de Deus.


Sempre que alguém vive em Deus e tem no cumprimento da vontade divina o seu mais alto ideal, obtém absoluta certeza de que todas as coisas de que necessita lhe serão acrescentadas. Tudo é possível somente àqueles que obtêm sua força diária em JEOVÁ - AQUELE QUE NOS FORTALECE.




FONTES DE CONSULTA:


O Novo Comentario da Bíblia – Edições Vida Nova


Novo Comentario Bíblico Contemporaneo – Editora Vida – F. F. Bruce


Comentario Bíblico Moody – Vl. 5 – Imprensa Batista Regular


A Graça de Deus Versus o Mito do Super-Homem – VINDE Comunicações – Caio Fábio